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Oficios

CALENDÁRIO DE OFÍCIOS Os templos do Shin Budismo da Terra Pura estão abertos ao público em geral, e seus ofícios diários, semanais, mensais ou anuais podem ser freqüentados por todos. Consulte a programação do templo que deseja freqüentar. Em muitos templos, os ofícios são realizados em língua japonesa, mas há alguns com prédicas em português.

Ao longo do ano, as seguintes datas são observadas:

JANEIRO
Dia 1° - Ofício de Ano Novo
(Shûshô-e) É o Ofício em que, além de comemorarmos a entrada do novo ano, damos o primeiro passo junto com o Nembutsu na vida de retribuição de gratidão, na alegria de viver com o ensinamento da verdade do budismo.

Dia 16 - Ofício Memorial em Homenagem ao Fundador, Shinran Shonin
(Hôonkô) É o mais importante ofício do Shin Budismo da Terra Pura, no qual prestamos homenagens a Shinran Shonin (1173-1263), seu fundador. Tradicionalmente, no Templo Matriz Mundial – Honzan – cuja sede fica em Kyoto, Japão, realizam-se Ofícios durante sete dias, intercalados com várias atividades como a leitura da biografia do fundador, sermões dos monges, refeições vegetarianas, etc. Os presentes, monges e leigos, ouvem palestras de monges renomados, encontram-se com adeptos de outras regiões e até do exterior e fortalecem os laços de amizade e o espírito de sanga.
No Japão, cada templo costuma celebrar seu próprio Ofício de Hôonkô, entre outubro e dezembro do ano anterior, para assim participar da cerimônia na matriz - Honzan.
No Brasil, a maioria dos templos realiza este Ofício em um único dia, geralmente, em algum final de semana dos meses de outubro a dezembro, pois, tradicionalmente entre os dias 14 e 16 de janeiro todos os monges participam deste Ofício realizado na sede sul-americana, Betsuin, em São Paulo.

FEVEREIRO
Dia 15 – Ofício do Nirvana
(Nehan-e) Neste Ofício é celebrada a data do falecimento do Buda Sakyamuni, - príncipe Sidarta Gautama - que iniciou o budismo há mais de dois mil e quinhentos anos na Índia, legando à humanidade a riqueza dos seus nobres ensinamentos. Ele atingiu o despertar ou iluminação, aos trinta e cinco anos sob a árvore bodhi e faleceu aos oitenta anos. Como representação concreta histórica (nirmanakaya), ele deixa a forma humana para entrar no nirvana pleno.

Geralmente, os templos realizam este ofício em algum final de semana do mês de fevereiro, conforme o calendário de atividades.

MARÇO e SETEMBRO
Ofício de Passagem para a Margem da Iluminação
(Higan-e) Duas vezes por ano, o sol corta o equador bem ao meio, fazendo com que dia e noite tenham igual duração. São os equinócios que ocorrem no primeiro e segundo semestres.

Nas duas ocasiões comemora-se o Higan-e, de outono (março) e o de primavera (setembro). No budismo japonês, “Higan” significa a “margem do Mundo da Iluminação”, isto é, o mundo do Buda. Com a oportunidade que estes ofícios oferecem, buscamos ouvir o Darma para nos libertarmos deste mundo de ilusão e sofrimento e atingir o mundo da Iluminação Búdica. Desta forma, busca-se sair do samsara, o ciclo de nascimentos e mortes no sofrimento a que estamos sujeitos, e atingir o nirvana, a meta budista do nascimento de um ser desperto, de sabedoria e compaixão, emancipado das paixões maléficas e liberto do ego ignorante. Geralmente, este ofício é realizado em algum final de semana dos meses de março e setembro, conforme o calendário de atividade de cada templo.

ABRIL
Dia 8 – Ofício Comemorativo do Nascimento do Buda Sakyamuni
(Hanamatsuri/Kambutsu-e) Traduzido como "Festival das Flores", o Hanamatsuri é o Ofício Comemorativo do Nascimento de Sidarta Gautama, que se tornou o Buda Shakyamuni. Dentro do templo, monta-se um altar de flores (hanamido) diante do altar principal, representando o Jardim Lumbini, local do seu nascimento, e coloca-se a estatueta do Buda criança, com a mão direita apontada para o céu e a esquerda voltada para a terra. Derrama-se o chá adocicado sobre esta imagem, numa alusão ao nascimento do Buda que - diz a lenda - foi tão jubiloso que provocou uma chuva de néctar. Por esse motivo, esse ofício é também chamado de Kambutsu-e, que significa o rito de banhar o corpo do Buda com chá doce.

Geralmente, este ofício é realizado num final de semana do mês de abril, conforme o calendário de atividade de cada templo.

MAIO
Dia 21 – Ofício Comemorativo do Nascimento do Fundador do Shin Budismo da Terra Pura, Shinran Shonin
(Gôtan-e) É a celebração do aniversário de Shinran Shonin, fundador do Shin Budismo da Terra Pura. Na matriz Honzan, em Kyoto, além dos ofícios religiosos, são programados entretenimentos como o gagaku (música ritualística), o teatro noh e as cerimônias de chá.

Este ofício é realizado, em geral, em algum final de semana do mês de maio, conforme o calendário de atividade de cada templo.

JULHO ou AGOSTO
Ofício de Finados Budista
(Urabon-e, Obon ou Kangui-e) O Urabon-e ou popularmente conhecido como Obon (Finados Budista) tem sua origem no Sutra Ullambana, que narra a estória de Mahamaudgalyayana (em pali, Mogallana, ou Mokuren em japonês), dileto discípulo do Buda Sakyamuni que possuía o poder de visão transcendental. Ao perceber que sua mãe falecida, que se encontrava no reino dos demônios famintos, foi salva pela compaixão do Buda, Mogallana ficou tão extasiado que dançou de contentamento. A partir daí surgiu a dança do Bon-Odori, que são as danças japonesas tradicionais do dia de Obon.

Assim, nesta ocasião em que relembramos os entes falecidos, recebemos a oportunidade de ouvir o Darma e, no regozijo do encontro com o Voto Original do Buda Amida que assegura o nosso nascimento na Terra Pura, expressamos a nossa alegria na forma da dança de Bon-Odori. Por isso a cerimônia é também denominada de Kangui-e, "Reunião de Júbilo".

Geralmente, os templos realizam este ofício em algum final de semana do mês de julho ou agosto, conforme o calendário de atividade de cada templo.

OUTUBRO ou NOVEMBRO
Ofício de Perpetuação do Sutra
(Eitaikyô) O Ofício de Perpetuação do Sutra, Eitaikyô, é a oportunidade que recebemos de ouvir o Darma, esclarecidos pelo Sutra, para que assim, o ensinamento do Buda seja passado de geração a geração. Geralmente, há nos templos um livro de registro póstumo chamado “Eitaikyô Daityô”. Nele estão registrados os nomes dos entes falecidos, e quando se faz a oferta de “Eitaikyô Konshi”, um envelope com um valor (pode ser pré-definido ou não, conforme o sistema de cada templo) é entregue ao templo pelos familiares dos falecidos. Esta doação monetária destina-se à manutenção do templo e à sobrevivência do monge e sua família ali, para sustentar suas atividades e, conseqüentemente, perpetuar o Darma.

Geralmente, os templos realizam este ofício em algum final de semana do mês de outubro ou novembro, conforme o calendário de atividade de cada templo.

DEZEMBRO
Dia 8 – Ofício de Iluminação do Buda Shakyamuni
(Jôdô-e) É o Ofício que celebra o despertar ou a iluminação do príncipe Sidarta Gautama que, com esse feito, tornou-se Buda Shakyamuni.

Com seu exemplo, o Buda Shakyamuni esclareceu que o objetivo da vida está em cada ser atingir o despertar da natureza búdica de sabedoria e compaixão supremas. Esse dia representa a alvorada da libertação universal da humanidade do sofrimento e da ignorância.

No ensinamento do Shin Budismo da Terra Pura, como é esclarecido que o despertar da natureza búdica ou o atingir do estado de Buda não se deve à nossa força ou virtude, compreendemos este Ofício como uma oportunidade de ouvir o Voto Original do Buda Amida que assegura o nosso nascimento na Terra Pura e faz com que nos tornemos Buda também.

Geralmente, os templos realizam este ofício em algum final de semana do mês de dezembro, conforme o calendário de atividade.

Dia 31 - Ofício da Passagem de Ano e o Sino da Virada
(Joya-e) Na noite do último dia do ano, os templos realizam o ofício de gratidão a todos que nos ajudaram, no decorrer do ano, com reflexão sobre a interdependência de todas as coisas, sobre todos e sobre tudo que tornou a nossa existência possível.

Nos templos que possuem o grande sino, o “bonshô”, é realizada a cerimônia dos cento e oito toques na passagem do ano. Estes simbolizam o desejo de extinguir as cento e oito más paixões do ser humano acionadas durante o ano que passou para que o novo ano seja recebido com esperanças renovadas. Esse ato é chamado de joya no kane, ou seja, "sino da passagem da última noite do ano".

Mas, no Shin Budismo, o toque do Bonshô tem outro sentido. Devido à nossa ignorância, representada nas cento e oito más paixões, esquecemos de tantas coisas importantes da nossa vida... E, assim, na última noite do ano que se encerra, procuramos ouvir o Darma no próprio som do toque desse sino que, soa da seguinte forma: “Gooooonnnn” que tem um som similar à “Goon”, termo japonês para gratidão, benevolência. Pelo menos ao término do ano, procuramos agradecer, na recitação do Nembutsu e ouvindo o Darma no próprio toque do Bonshô, todas as benevolências e dádivas recebidas durante o ano.

Nos templos do Brasil, é mais comum encontrar o sino menor, “Kanshô”. Assim, no Ofício de Joya-e, após a leitura de um pequeno sutra ou texto sagrado é tocado o Kanshô.

O horário do início deste ofício pode variar de templo para templo.

Ofícios Diários
Nos templos do Shin Budismo da Terra Pura, geralmente, são realizados ofícios diários no período da manhã e ao entardecer.

Ofício Matinal – Odindyô ou Oassadi
Neste ofício diário, primeiramente, é tocado o sino menor, Kanshô, que chama os participantes para o início do ofício. Com o monge em seu posto, cantam-se o Shoshingue e um conjunto de Nembutsu, e os hinos compostos por Shinran Shonin. Em seguida, faz-se a leitura das Cartas do Mestre Rennyo e finalmente, uma prédica do monge. O ofício termina com a recitação dos Princípios do Jodo Shinshu para o cotidiano.

No Templo Matriz, no Japão, no Amidadô (templo onde a imagem central é Buda Amida) é realizado o cântico do Sambutsugue e, em seguida, todos caminham até o Goeidô (templo onde a imagem central é Shinran Shonin) para cantar o Shoshingue, Nembutsu e Wasan. Este ofício inicia-se entre cinco e meia da manhã e seis horas, conforme o período do ano.
No Brasil, sobretudo no Templo Matriz, o ofício matinal é realizado a partir das sete horas.

Ofício da Tarde – Oyûdi
No Templo Matriz em São Paulo, este ofício é realizado a partir das dezesseis horas e quarenta e cinco minutos. Neste Ofício, é realizado o revezamento de leitura de textos mais curtos. E, no final, é cantado um hino budista.